Ainda que o desejo seja só mais um desejo. Tudo o que temos no final são só desejos. Sonhamos com um mundo mais justo, e o que encontramos são só injustiças que projetamos.
Os nossos sonhos anulam os nossos desejos. Somos feitos da poeira da injustiça, da rivalidade estratégica, da dominação do mais forte. Tudo o que temos em termos de direitos e garantias é ilusão.
Somos seres viventes à base de ilusão. Somos desejos e sonhos não realizados. Somos os dominados e os dominadores, somos a naturalização dessas relações. Somos e queremos ser assim.
Se algum dia estivermos dispostos a enfrentar as nossas causas interiores, nos rebelarmos contra as nossas incoerências, quando tivermos a coragem de dialogar com a nossa essência, é possível que o mundo melhore.
No paradoxo da nossa existência sempre nos encontraremos; cada um de nós carrega essa profunda contradição, contradições em cima de contradições; essencialmente, tudo em nós é contraditório.
Um dia encontraremos o caminho onde a doce ilusão será subjugada pela dura realidade; neste momento, é preciso entender que não sobrará contradição sobre contradição.
Carlos de Campos
Foto por Paul Blenkhorn @SensoryArtHouse em Pexels.com
Não vem. O que é normal é assustador, mas é normal. Imita ser, mas não é. Quem você pensa que é?
É ilusão desejar o que você deseja, sentir o que você sente. É inegável. Você sente e vê. E o que você sente e vê? E o que você sente? Vê o que sente? O que os outros captam, mesmo estando com você? Lógica do ilógico. O que sinto e vejo são coisas absolutamente distintas.
Vê! Existe a realidade, só que não é como acreditamos. Diferente? Como explicar algo que estamos experimentando e que, mesmo explicando, não acreditamos? O que vemos e sentimos está em nós e, ao mesmo tempo, está além. O que está além, nós enxergamos e sentimos, só não compreendemos.