Livro: A mente e o dinheiro — Poema 01/80
O pedinte anda pelas ruas
O seu caminho é seguir andando
O seu caminhar denúncia
A vida é triste para quem só acumula.

O seu olhar não enxerga
Que o pouso para descansar não existe
O que existe é o fardo de quem só acumula
Sem saber se vai conseguir gastar.
E, no caminho, o andarilho continua
Denunciando a nossa suprema resistência
Que é preciso perceber
Que acumulamos tanto para não sermos realizados.
Uma vida que vive para o acúmulo
É uma vida que já morreu
Se afasta do verdadeiro segredo da vida
Que a vida é para se viver genuinamente.
Uma vida carcomida pelo acúmulo
É um ideal de vida jogado no lixo
É prejuízo para a própria saúde
Que, ao repousar, se encontrou com a própria morte.
Que busca desenfreada foi essa?
Em que, no seu silêncio, você não conseguiu ouvir?
Renegou a sua própria história de felicidade
E, agora, morto está diante do reconhecimento.
Carlos de Campos

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