No passar do tempo, instante desfeito

Este não é apenas um poema que se lê — é um poema que lê você.
Ele reconhece, em silêncio, os lugares onde o tempo deixou marcas: dor, saudade, arrependimento, maturidade.
Não tenta convencer. Apenas revela uma verdade universal: o tempo não é neutro.
Ele molda, esvazia, esculpe… e, às vezes, sepulta.
Cada verso é um espelho — e cada espelho, uma travessia.


No passar do tempo, instante desfeito

No existir do tempo,
o tempo nos comove.
Diante de tua grandeza exuberante,
o tempo deixa de existir.

Sou o tempo que passou,
o tempo que se faz presente,
o tempo em construção permanente.
Sou o tempo em tempo.

Tempo em tempo,
a vida dita o ritmo.
Em tempo, em tempo,
a vida vai se esvaindo.

O tempo é quem me mantém vivo,
ditando o ritmo sinistro.
O tempo vai...
e, com ele, também vai a minha paz.

No fim do tempo, existe uma pessoa
que pensa e se incomoda.
O tempo é irremediável,
e o fim geralmente é negado.

O tempo amadurecido
é o tempo de ser colhido.
É tempo da aceitação,
tempo da mais pura transição.

Carlos de Campos
Foto por KoolShooters em Pexels.com

Comentários

2 respostas a “No passar do tempo, instante desfeito”

  1. […] contigo.Ler um livro como este é mergulhar em uma alma com a própria alma; é experimentar os labirintos da angústia, das injustiças, dos medos. E, mais do que isso, e acima disso, é sair com a consciência e a […]

  2. […] isso. E tudo isso, querendo ou não, influencia o nosso comportamento e decisões diariamente. O vazio existencial é assustador.Carlos de […]

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