Ouve o passado gritar Na antessala do desespero, No agitado mar da vida, Ouve…
É grito que, ao longe, posso ouvir. É vida desesperada. Quem mais pode ouvir? É preciso ter ouvido atento.
Desesperado, caminha sem rumo. É vida sendo tolhida, desesperado caminho.
E, na margem do rio, avisto as memórias fugazes correndo contra a correnteza, como peixes em época de piracema.
Ouço, no reflexo da minha imagem, barbaridades sem fim. Desanimado, deixo essa marca, a marca brutalizada de mim.
Sonhos, desejos que vêm e que vão… Vêm nas belas manhãs e se vão ao cair do dia. Só me resta ouvir essa sinfonia.
Nas águas desse rio vou mergulhar. No mais tardar da vida vou mergulhar. Ouvindo as águas baterem nas pedras, vou mergulhar. No auge do desespero, me permito relaxar.
São dias como este que me fazem desejar estar com você — e é normal desejar algo assim. É assim que funcionamos: queremos o que nos gera aquela aparência de tranquilidade. E não há nada de errado nisso. O problema surge quando isso se torna um álibi interno para, diante de qualquer conflito, usarmos como desculpa para pular do barco — seja do emprego, de um relacionamento ou de uma amizade. Há muita gente por aí vivendo nesse modelo de vida.
Desejo e mais desejos — é assim que estamos vivendo: desejando tudo e todos. Desejando… e, quando desejar já não funciona, então exigimos, impomos, para que os nossos desejos mais vis se realizem. É preciso desejar com muita cautela. E já passou da hora de voltar-se para o próprio interior — não como mais um gesto egoísta, mas com a firme atitude de quem vai refletir sobre a própria vida. Sobre essa vida de desejos por desejos mesquinhos.
Em busca de quê você tem pautado a sua vida? Desejos? Que tipo de desejo tem cultivado em sua existência? Deseja uma vida de segurança e tranquilidade? Será mesmo possível viver nesse clima? No que você tem pensado hoje? Ah, bem que poderia existir uma fórmula mágica para suprirmos todos os nossos desejos… desejos egoístas, desejos insaciáveis. Desejo desejar você algum dia — porque essa é a vida de quem ainda não mergulhou em sua própria existência.
Neste poema reflexivo e visceral, o autor mergulha nas profundezas do desinteresse pela vida, atravessa a solidão e o medo, e convida o leitor a se reencontrar com sua essência. Uma jornada poética do vazio ao despertar, marcada por imagens simbólicas e uma força silenciosa de renascimento.
Poema sobre o desinteresse pela vida e a busca de sentido. Um chamado poético para recomeçar e recuperar o que é nosso por direito.
Mais um desinteressado da vida?
Desinteresse? Mas... O que foi que você não pensou? Mergulho na lamentação.
In this reflective and visceral poem, the author dives into the depths of life’s disinterest, passes through solitude and fear, and invites the reader to reconnect with their essence. A poetic journey from emptiness to awakening, marked by symbolic imagery and a silent force of rebirth.
A poem about disinterest in life and the search for meaning. A poetic call to begin again and reclaim what is ours by right.