Surge diante dos meus olhos uma luz suave. É possível ver esferas douradas; são lindas essas esferas douradas, que gravitam dentro dessa luz suave. Tudo isso vejo diante dos meus olhos. Percebo que essa luz suave se movimenta em minha direção, encobrindo todo o meu corpo. Eu faço parte dessas esferas douradas agora.
Faço parte desse mistério. As esferas douradas dançam ao meu redor; sinto-me feliz e danço no mesmo ritmo dessas esferas douradas, danço. Essas esferas começam a pulsar, intercalando entre o forte e o fraco, entre o intenso e a ausência total de luz. No momento em que tudo se apaga, vão se acendendo uma por uma e parecem querer se comunicar comigo.
Comunicam-se em forma numérica: cada esfera dourada contém um número. Diante de mim, revelam-se esses números misteriosos, números de nível elevado, como podemos ver: cinquenta e dois, quarenta e quatro, vinte, dezoito e dois. Tudo é mistério sem fundamento, antítese da racionalidade, um mistério que vi e observei bem de perto.
Era de madrugada, ouço passos Pressinto a chegada de um estranho Ofegante… Bate na porta com violência.
Me levanto, olho pela fresta da janela Um homem nu, caído. Noto que seu corpo está todo perfurado Me dirijo até a porta, enquanto aciono a polícia.
A polícia chega, e sua única preocupação É me olhar com olhares de quem já me condenou. Em meio àquele falatório e acusações sem provas, Me concentro em meus pensamentos.
E em cada detalhe do corpo à minha frente, O que mais me intriga É a tatuagem em seu peito Com os dizeres em latim: "Advocata mea pro me loquitur."
Depois de alguns dias mergulhado nessa história, As ideias e provas foram sendo construídas, Me levando a uma única dedução: Em meio ao caos — identidade, vingança.
O morto veio de uma cidade distante daqui, Encontrou-se com o bispo local. Localizei sua advogada por meio da tatuagem. Bispo e advogada estavam abraçados — e mortos.