Não canto mais por justiça tributária

Não canto mais por justiça tributária


Lá pelas bandas que me exploram,
Sei que o que menos importa
É que eu tenha meu bem-estar respeitado.
Nada é tão repugnante de saber.


Lá pelas bandas que me exploram,
Eu vejo até o que Deus duvida.
Eu vejo a miséria sendo lucrativa,
Eu vejo a riqueza superfaturada.


Nem a pior legião demoníaca é tão desonesta
Quanto a crueldade exercida pelo capitalismo.
Tudo o que toca vira pó,
É espantoso saber que tem muita gente que concorda.


Um império pessoal ou de um país, para sobreviver,
Precisa impor suas condições, sejam quais forem.
Doa a quem doer,
O objetivo é sempre o lucro a qualquer custo.


Lucro exorbitante para poucos,
Miséria absoluta para muitos.
O terror inflacionário é implacável,
Consumindo vidas pelos juros.


Lugar onde nada prospera,
Enormes são as filas da inadimplência,
Onde a maioria não consegue se desenvolver.
Lugar onde se lucra com a pobreza.


Movimento de desconstrução do capitalismo,
Que escancara os altos juros.
Movimento de desconstrução do capitalismo,
Que denuncia que o pobre ainda tem trabalho forçado.


Multidões passam fome,
No cotidiano a pobreza é extrema.
O trabalho é análogo à escravidão,
As pessoas ainda vivem produzindo riquezas para terceiros.


O silêncio dos oprimidos clama por justiça social.
A “liberdade democrática” precariza.
A taxação comercial é a nova pandemia,
Mas quase ninguém se importa.


Meu desolado canto é solitário.
É inútil o canto que eu canto.
Canto o canto dos injustiçados,
Canto o lamento de minha alma empobrecida.


Meu lamento vem de um coração miserável,
De um corpo maltratado pela fome e pelo frio,
E que, quando doente, encontra um sistema perdido.
Meu canto canta por uma boa morte.

Carlos de Campos
Foto por Kindel Media em Pexels.com

Comentários

Uma resposta para “Não canto mais por justiça tributária”

  1. […] atenção?Sou o mago do melhor posicionamento orgânico,Mas sou invisível aos corações humanos.Não é para se frustrar,Quando são as dúvidas que pairam sobre o meu falar.Carlos de […]

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