O nosso destino está no ver. No ver de quem sente, no ver de quem ouve. Ver é ouvir o sentido.
O sentido que vê é o mesmo sentido que ouve, que sente o sentido do olhar. Vê como eu sinto? Sente o que eu vejo com o ouvido? Sua capacidade de ver está extremamente aguçada. Seu corpo se arrepia todo. Sua mão suada me toca, toca como quem quer ver o que está ouvindo. Sua boca deixa sair os sentidos. Sua alma está plena em ver o que eu vejo.
O estado de ver é visto nos olhos, é sentido. As minhas comoções vêm à tona, ligadas ao meu ver. Eu vejo o que vejo. Suas mãos estão frias.
Suas mãos veem o meu corpo, passeiam pelo meu corpo. Meu corpo vê os sentidos.
Carlos de Campos
Foto por Paulina Bermudez Castellanos em Pexels.com
Surge diante dos meus olhos uma luz suave. É possível ver esferas douradas; são lindas essas esferas douradas, que gravitam dentro dessa luz suave. Tudo isso vejo diante dos meus olhos. Percebo que essa luz suave se movimenta em minha direção, encobrindo todo o meu corpo. Eu faço parte dessas esferas douradas agora.
Faço parte desse mistério. As esferas douradas dançam ao meu redor; sinto-me feliz e danço no mesmo ritmo dessas esferas douradas, danço. Essas esferas começam a pulsar, intercalando entre o forte e o fraco, entre o intenso e a ausência total de luz. No momento em que tudo se apaga, vão se acendendo uma por uma e parecem querer se comunicar comigo.
Comunicam-se em forma numérica: cada esfera dourada contém um número. Diante de mim, revelam-se esses números misteriosos, números de nível elevado, como podemos ver: cinquenta e dois, quarenta e quatro, vinte, dezoito e dois. Tudo é mistério sem fundamento, antítese da racionalidade, um mistério que vi e observei bem de perto.