Um olhar atento para dentro
Morte como obediência de uma vida,
Vejo escapando de minhas mãos
Na neblina que turva a minha vista,
No oceano em que estou mergulhado.
Os meus olhos cegos seguem pelo caminho,
Tateando os ares,
Perdendo-se em si mesmos
E encontrando-se no outro.
Nossa bela morte
Nos beija constantemente na face,
No amargo do meu suor,
Compreendendo todos os meus medos.
Medo de uma vida
Distante do desejado,
Doses de fracasso
Capazes de mudar toda a minha sorte.
O sonho me distrai,
Me faz avançar,
Me limita,
Me instiga a sempre ir para frente.
Me orienta em meu interior
A permanecer sempre atento,
Usufruindo do mel da sabedoria eterna
Que pulsa no limiar da vida e da morte.
Carlos de Campos
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