Em nada posso confiar. Tudo me parece raso demais. Estúpido! Na profanação desses versos me esqueço.
O que precisamos entender desta vida? O que é profanar os versos inversos? Quando chega o ponto em que precisamos rasgar a alma e liberar a nossa dignidade?
O que devo esperar de uma alma libertada? Alma que vagueia sem sentido, desligada de todas as emoções, vagueia assombrada.
É primavera, as borboletas renascem. Conflitos sangram no calor das emoções. O silêncio reivindica. Tudo se destrói.
Tudo persiste como um incômodo, um inverno em plena primavera. É a condição de uma alma presa ao corpo humano, humano que profana versos o dia inteiro.
“Preciso me dar um tempo” é um poema honesto, impactante e sensivelmente atual. Ele traduz, com lucidez e dor, o retrato de um sujeito contemporâneo esgotado pelas exigências do mundo, que encontra no próprio colapso uma chance de lucidez: cuidar-se antes que seja tarde.
Preciso me dar um tempo
Leveza de um destino entrelaçado Em uma busca sem desfecho Ironia É só o que encontro.
Os desafios são sem fim No auge, procurei desistir Sem saber que não estava no auge Só estava cansado.
Ir sempre além Mesmo estando cansado É como gostaria de pensar Só que a realidade me diz que ando esgotado.
Cansado… Estou aflito por sentimentos que não sinto Ir além… É ir de encontro com a morte.
Preciso me afastar do mundo Das pessoas que sabem de tudo É vital focar nas coisas que se passam em minha mente E parar de ser intransigente comigo.
Com urgência, preciso me cuidar Antes que seja tarde demais E eu venha a sucumbir Me desfazendo em partículas pelo asfalto.