Em razão da vida, o fim é temido. É angustiante para todos nós. Ninguém, por mais maduro que esteja, Está livre desse elefante branco no meio da sala.
Morrer é antinatural. A existência, com toda a sua força, resiste. Desde quando se passa a existir, A luta para se manter vivo é intensa, mesmo tendo saúde.
Não é confortável para ninguém a dança permanente com a morte. Geralmente, evitamos trazer à razão, Mas sempre somos arrastados para o baile, Na dança dos inconformados.
Morrer é demasiadamente extraordinário. É a passagem para sabe-se lá onde. É a dormição eterna da racionalidade. É a dramatização do nosso último julgamento.
Leve me sinto, já que não há para onde correr. Inteiramente tenho vivido, já que um dia eu hei de morrer. Entre as multidões de corpos vivos, Entre esses corpos é que tenho compreendido.
Morrer é a atitude mais bela de nossa missão. É o maior e único evento de nossa existência. É o fim do início de uma nova jornada. É a manifestação mais pura de nossas crenças.
No final, cada um sabe no que acreditar: Deidades, vida após a morte, Fluidos corporais que prendem uma alma livre, Vida plenamente para ser vivida.
Morrer é a mais intensa das emoções. É o prelúdio do que não conhecemos. É o que há de pior que vem à nossa mente. É entender que poderíamos ter vivido e amado mais.
Finalmente, o grande dia chegou, E com ele, a experiência individual. Desejo, sonho — nada mais é tão importante Quanto o momento de vivenciar a própria morte.
Íntimo de minha alma, Nos momentos de mais sofrimento, é a minha paz. É a poderosa impressão que busquei a vida toda. É o momentum além do amor que conhecemos.
Sinta, em seu rosto, o toque suave: Desejo amoroso que desperta pela humanidade. Sentimentos naturais de nobreza são potencializados, Dando origem à sua melhor versão em plena passagem.
O íntimo vai florescendo enquanto se faz a passagem. Todo o medo e a angústia dão lugar à pacificação plena da alma. O condutor de toda essa passagem é o amor, O amor semeado pelas pessoas durante sua vida.
É impossível ter desejo de justiça quando se tem o monopólio econômico a seu favor, quando o sol nasce para todos, mas maltrata uma parcela da população mais que as outras. É sempre a mesma conversa, e me parece que continuamos no mesmo lugar: solitário e desiludido. Conversas que não mudam comportamentos e comportamentos que não querem ser mudados.
O mundo precisa de uma sociedade consciente. Consciência, esse é o nosso grande problema: consciência livre de ideologia não existe. Nossa busca pela consciência é genuína, até que atolamos no lamaçal de conceitos viciados, conceitos que nos aprisionam e não nos permitem avançar.
Quem sou eu diante desse mundo de ilusões? De desejos não correspondidos? Quem, do topo de sua mediocridade, é capaz de ver além do que lhe é imposto para ver? Sou quem não quero ser, sou quem me determinaram ser, sou a ilusão de dias felizes, fruto do pecado, das almas escolhidas de um deus construído.
Desde criança, fui ensinado a ver o mundo como os adultos o viam. Cresci e continuo vendo somente pelos olhos de outras pessoas; vejo o mundo pelos olhos de quem detém o poder político, econômico, religioso e midiático. Meus olhos e minha vida estão a serviço dos poderosos.
É irrelevante tentar resistir. Desejos são controlados. Minha existência aqui neste planeta apenas repercute os sonhos e desejos que não são os meus; luto as lutas que não foram escolhidas por mim.
Banido de toda a corte real, meu existir subsiste no submundo, onde luto as lutas que não foram escolhidas por mim. Essa é a realidade, pelo menos é a realidade que flagela meu corpo e mente o tempo inteiro. Realidade que devo suportar. Em uma realidade de cartas marcadas, não há muito o que fazer.
Meus sonhos e desejos são impossíveis de se realizar. Movimento-me para, quem sabe, algum dia, enfim, superar a lavagem cerebral à qual fui exposto. Sonho por sonhar, sonho desejando acordar.
Quem sou eu depois de ontem? O que fui capaz de ver além da escuridão? Dos desejos e sonhos que foram roubados? Em meus dias que se passam, passa também a esperança de um dia estar livre.
Importa tua condição insensível aos apelos dos outros; irremediável é a tua conduta um tanto quanto obscura.
Pelas sombras de tua conduta, espero vê-lo na cadeia, para que os teus dias sejam tão amargos quanto os nossos.
Desejo que estes dias sombrios se desfaçam e que o sol da esperança nos faça sorrir novamente.
Em nada podemos nos sustentar; esses serão dias terríveis, dias para se chorar, enquanto lamentamos, porque nada mais podemos fazer além de nos lamentar.