No além do seu olhar, me vejo. Mergulho no mais profundo dos teus desejos. Me pego sonhando com você no cantinho da minha solidão.
Me vejo para além dos teus desejos, em sonhos disfarçados de vontade. Vontade que bate forte em meu peito, peito que anda vazio de amor.
Levo a sua imagem em minha retina. De dia e de noite, só penso em você. Penso em como seria estar com você. O vazio em meu peito diz que é saudade.
A solidão não me deixa avançar; sequestrou minha esperança de amar. Meus sonhos e desejos desapareceram. Sua imagem anda mais nebulosa do que antes.
Mistério do amor: por que sofrer para amar? Amar precisa ser um parto para frutificar? É ilusão o amor que sinto?
Sinto como se estivéssemos entre paredes de vidro: nos vemos e nos desejamos, porém, não nos sentimos de verdade. Nosso amor é, antes de tudo, virtual.
O precioso valor da vida, vida que é constantemente ferida por nossa existência vazia, que insiste em resistir ao frio.
O frio da indiferença, que nos condena, nos massacra — frio da ignorância.
A vida é preciosa. A vida de quem? A vida que vive de restos de dignidade? A vida que não se permite ser feliz?
O que é a vida? É a vida encontrada na latrina? É a vida que vocês querem que eu viva? Ah! O que eu sei é que a minha vida não é preciosa.
Não existe dignidade onde há tanto desprezo, onde ser indiferente faz toda a diferença — e é sempre o melhor jeito. A vida é preciosa, sim! Só que é a vida dos 1%.
O nosso silêncio nos trouxe até aqui, onde mais de 90% prefere a indiferença. É a nossa marca registrada: ser uma nação submissa, que só vive reclamando, mas prefere levar a vida na mais pura omissão.