O corpo e a mão veem os sentidos
O nosso destino está no ver.
No ver de quem sente,
no ver de quem ouve.
Ver é ouvir o sentido.
O sentido que vê
é o mesmo sentido que ouve,
que sente o sentido do olhar.
Vê como eu sinto?
Sente o que eu vejo com o ouvido?
Sua capacidade de ver está extremamente aguçada.
Seu corpo se arrepia todo.
Sua mão suada me toca,
toca como quem quer ver o que está ouvindo.
Sua boca deixa sair os sentidos.
Sua alma está plena em ver o que eu vejo.
O estado de ver
é visto nos olhos,
é sentido.
As minhas comoções vêm à tona,
ligadas ao meu ver.
Eu vejo o que vejo.
Suas mãos estão frias.
Suas mãos veem o meu corpo,
passeiam pelo meu corpo.
Meu corpo vê os sentidos.
Carlos de Campos


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