Surge diante dos meus olhos uma luz suave. É possível ver esferas douradas; são lindas essas esferas douradas, que gravitam dentro dessa luz suave. Tudo isso vejo diante dos meus olhos. Percebo que essa luz suave se movimenta em minha direção, encobrindo todo o meu corpo. Eu faço parte dessas esferas douradas agora.
Faço parte desse mistério. As esferas douradas dançam ao meu redor; sinto-me feliz e danço no mesmo ritmo dessas esferas douradas, danço. Essas esferas começam a pulsar, intercalando entre o forte e o fraco, entre o intenso e a ausência total de luz. No momento em que tudo se apaga, vão se acendendo uma por uma e parecem querer se comunicar comigo.
Comunicam-se em forma numérica: cada esfera dourada contém um número. Diante de mim, revelam-se esses números misteriosos, números de nível elevado, como podemos ver: cinquenta e dois, quarenta e quatro, vinte, dezoito e dois. Tudo é mistério sem fundamento, antítese da racionalidade, um mistério que vi e observei bem de perto.
Um oceano de tristeza, De lamentações profundas, De inconstâncias persistentes. Sou o próprio muro da indiferença.
Um fantasma que assombra. Há dependência do medo, Distorce o meu raciocínio lento. Daqui do meu lugar, só vejo deserto.
Este destino fora trancado No arcabouço da ignorância, Da censura banalizada. É como andam as coisas.
O perigo anda solto, Orquestrando sequestros mentais. A vítima indefesa pode ser você; Ninguém está imune a esse dilema.
Você chegou carregando o sentido da minha vida. Vi onde encontrar o meu equilíbrio. Nenhum dia a mais de sofrimento. É preciso dar um basta a tanta manipulação.
Corto qualquer vínculo inconsciente com você, Com suas armadilhas escondidas, Com as tuas tramas malditas. Me lavo no mar da regeneração pacífica.
Carlos de Campos
Foto por Santiago Sauceda Gonzu00e1lez em Pexels.com