No precioso tempo que nos é dado e que pouco aproveitamos, transformamo-lo em tempo de dispersão. Estamos fatigados, sem rumo e sem direção alguma. O que esperamos da nossa dispersão? Em tempo de dispersão, dispersos estamos.
Nosso objetivo se desfaz como a água que tentamos conter entre os dedos. Que movimento desejamos fazer para que toda a nossa vida dispersa se desfaça? O movimento desejado está contido e permanece estagnado.
Impera sobre o nosso ser a divagação de uma existência, o desencontro de uma mente distraída. O que fazer com uma mente assim? Uma mente distraída, desorganizada, ferida por sua própria existência.
Não busco conforto, nem tampouco o desespero. O que busco, afinal, em minha vida? Além da própria tristeza que há em mim? Além de sempre observar o céu sempre chuvoso?
No abismo em que se encontra a minha alma, no fundo ainda busco a esperança; sem saber ao certo, ainda a procuro. Procuro entre os escombros que estão à minha volta, procuro entre os cadáveres; sem encontrar, continuo procurando. Procuro com um coração partido. O que busco encontrar além da dispersão? A minha alma cintilante.
Olhe e observe que existem maneiras pelas quais você pode se beneficiar e, quem sabe, desistir de insistir em ser essa pessoa irritante. Olhe e observe ao seu redor: como chegou a essa solidão? Percebe?
Impedimento é saber o momento em que se deve parar, usar o bom senso do que já se viveu e dar a si mesmo um pouco mais de tolerância. O que você precisa fazer é ser mais tolerante consigo mesmo.
Uma pessoa curada é capaz de curar o mundo. Antes, cure o seu amor-próprio; cure como quem cuida do doente mais amado da enfermaria.
Tudo é dependente do amor
Homem caído na sarjeta,
pela madrugada observo.
Sem dignidade,
esconde os seus preconceitos.
O desespero aumenta,
não existe paz em seu coração.
Os dias são traiçoeiros.
Escolhi me perder
dia a dia.
Me perco em meus desejos,
sem filtro me escondo.
Tudo é opção.
Os escombros são a minha alma.
Peco
com meus desejos.
Pecado é ter você
sem sua roupa em minha cama.
Pecado é amor.
Disse o meu ego:
“Tuas asas estão presas em mim.
O teu corpo é meu corpo.
Meus são também os seus amores.
Tuas amantes são minhas.
O teu prazer solitário são todos meus.
Meus são os seus dias,
a lua da sua noite,
o que os seus olhos tocarem.”
Nos túmulos fétidos,
corroídos por vícios,
túmulos lindos
ocultando a nossa última missão.
Na mais doce ilusão
de que vamos viver no paraíso.
O tempo é o instante perdido,
desejo desfeito,
perdido a procurar
do êxtase o momento.
Procuro o tempo no tempo,
no amargo da solidão.
Onde o amor se ausenta,
o delírio se mantém,
a violência impera
como um incômodo graveto
que inflama a ponta do dedo,
que destrói toda a nossa paz.
A minha evolução depende de você.
Não existe sociedade individualista.
Não se constrói dignidade com ódio.
Nada floresce no deserto,
em um corpo sem coração.
Tudo o que vive e respira
precisa de nossa unidade.
Cabe a cada um de nós querer.
Carlos de Campos