Luxúria
Nos dias ruins,
eu adormeço em ti.
Eu, em êxtase,
estou dentro de você,
sem nenhuma excitação.
A ti me entrego;
sem nenhum remorso, eu me despeço.
Carlos de Campos

Luxúria
Nos dias ruins,
eu adormeço em ti.
Eu, em êxtase,
estou dentro de você,
sem nenhuma excitação.
A ti me entrego;
sem nenhum remorso, eu me despeço.
Carlos de Campos

Dignos da verdade
No estandarte do amor
estão escritas as seguintes palavras:
não existe glória na covardia,
no desumano ato de amedrontar.
É nesse momento
em que a vida separa
os homens dignos
dos ratos covardes.
E essa é, finalmente,
a maior glória que alguém pode receber:
não ser incluído no rol dos ratos,
dos imundos que habitam o submundo.
Célebre por ser considerado digno
de carregar este estandarte,
digno por dedicar sua vida à transparência,
digno de caminhar sob o amparo da ética.
Estandarte dos que lutam por dignidade,
pela sua e pela dos outros,
dos que podem dormir com a consciência fria.
Dignos são todos que assim buscam viver.
Cante, em uníssono coro,
o cântico dos mártires,
dos que derramam todo o seu sangue
para ser íntegro a todo momento.
Carlos de Campos

Do movimento à calma
É movimento, é movimento.
A alma também se movimenta.
Fogo incontrolável é movimento,
movimento devastador e contínuo.
O movimento deixa marca
que passa de geração em geração,
e você pode romper com isso,
dar mais freio para esse movimento.
Freie e o deixe parar;
que esse movimento cesse.
Sinta, em seu peito, o movimento parado;
veja o esquecido, empoeirado.
Invista nessa calmaria,
na beleza que ganha novas cores,
no fogo que aquece e não queima,
na vida que te convida a respirar mais fundo.
Veja, sinta dentro de você
a calmaria instalada,
esse delicioso barulho de água,
de água correndo livre.
Que você siga daqui por diante sentindo —
sentimento, sentindo…
sentindo tudo dentro de você:
tranquilidade, cara a cara, surpreendido.
Carlos de Campos
