Luxúria
Nos dias ruins,
eu adormeço em ti.
Eu, em êxtase,
estou dentro de você,
sem nenhuma excitação.
A ti me entrego;
sem nenhum remorso, eu me despeço.
Carlos de Campos

Luxúria
Nos dias ruins,
eu adormeço em ti.
Eu, em êxtase,
estou dentro de você,
sem nenhuma excitação.
A ti me entrego;
sem nenhum remorso, eu me despeço.
Carlos de Campos

Era uma vez a verdade
Vem a manhã sombria,
os verdes campos pisoteados.
Vem a força do ódio,
exilados em nossos medos.
Os dias se vão,
consumidos pela desesperança,
pela farsa que nos acorrenta
aos pés da nossa cama.
Levanta-se a escuridão,
um apocalipse sem revelação,
um estrago sem reparos,
um coração desprotegido.
O que podemos fazer?
Nada!
Além de assistirmos à nossa própria desgraça,
além de ruminarmos o que poderíamos ter feito.
Além da tortura,
do sangue que sangra sem nos matar,
porque morrer é nosso maior privilégio:
é vida desacreditada.
Vê-se chegar o grande momento.
De ilusão a ilusão,
de mente à mente,
a mentira tornou-se verdade.
Carlos de Campos

O silencioso medo da vida
Fim de uma geração
Entregue à loucura,
No desespero desmedido.
Fim de uma geração.
Está pesado o clima,
Intenso.
Loucos pelas ruas,
Exercendo a sua covardia.
Pulsos rasgados,
O coração sangra ódio.
Peito aberto,
Olhos cegos.
Incêndio consumindo o corpo,
Corpo jogado no lixo,
Na existência de um circo
Tímido e violento.
Onde estamos indo?
No lugar que cultua a morte,
No deslumbre de uma fatalidade
Quase pressentida.
Violentos se levantam contra nações,
Escondem-se nos escombros da morte.
Sem olhar, assisto.
Prevejo a cura do mal.
Carlos de Campos
