Nada impede que você deixe o amor falar, sair para respirar um ar fresco e sentir, em seu peito, o seu aconchego. Nada o impede de tentar.
Tentar superar os seus medos, medos que nem fazem parte de sua história, mantendo-se firme diante dos burburinhos da vida e podendo sentir, em seu peito, esse aconchego.
Quem nunca se decepcionou com alguém? Quantas foram as ilusões já sentidas? Passou deixando tudo como terra arrasada, e seguir acreditando se tornou insuportável.
São as dores de uma vida maltratada, vilipendiada em todos os seus direitos, inclusive no direito de amar. Amar e ser amado… que dificuldade.
Singulares são os afetos que afetam a todos nós. Singulares são as dores que movem os corações. Singulares somos nós, com os nossos universos em rota de colisão.
Tudo o que vive e respira alguma vez já amou, diluímos quem éramos para o outro para o amor acontecer. No final, só restaram duas almas vagando vazias.
Não existe tormenta capaz de nos derrubar. Olhamos para as tormentas e vemos oportunidade — oportunidade de aprender algo novo, superar algum preconceito. Sabemos que ver a realidade exige de nós um certo grau de maturidade.
A maturidade se conquista nas vitórias e, acima de tudo, nas derrotas. As derrotas são nossas melhores mestras. É justamente na experiência da dor e da contrariedade que somos pressionados a dar o nosso próximo e melhor passo, e é nesse momento que nos fortalecemos.
Muitos são os movimentos que nossas mentes fazem para nos deixar tristes e abalados, mas os convido a superá-los.
No auge da vida, a vida floresce. Distante de tudo, busca na solidão o silêncio como refúgio, como direcionamento para um novo dia — um dia para repensar a própria vida. A vida instável das estabilidades que nos assolam nos engessa diante do medo — medo das preocupações, do futuro. Um futuro dissimulado, prepotente e cheio de mesquinharias. O “algo a mais” a ser feito, feito de ilusões que nos agarra e nos faz corromper-nos para vivermos uma vida sem paz.
Não existe queda quando aceitamos que a vida é feita de altos e baixos, de limites a serem vencidos. Não existe desequilíbrio quando deixamos que a realidade da vida nos fale, nos oriente. É a vida sendo fiel à sua natureza. Na rotina do dia a dia, é a vida mostrando qual o melhor caminho lúcido a se tomar.
No entardecer da vida seguiremos confiantes. Os desafios são muitos e certamente assustadores, mas é preciso continuar e confiar que nada deve ser motivo de desânimo. Sim, eu sei que é difícil pensar assim.
Sei também que só temos duas opções: uma é desistir. Querem nos convencer de que precisamos desistir e continuar de cabeça baixa diante de quem só nos explora e depois nos descarta. A segunda opção é resistir, insistir, mesmo que tudo e todos tentem nos impedir, porque é exatamente isso que eles querem de nós: que desistamos para que, desistindo, continuem nos humilhando.
Vivemos em um contexto de guerra permanente, uma guerra ideológica em que um lado deseja nos alertar de que precisamos nos valorizar, buscar juntos a justiça social e fazer da vida nossa principal meta.
Que o trabalho seja um dos tantos instrumentos para alcançar o objetivo de ser plenamente feliz, e não um instrumento de trabalho forçado. Vamos em busca do nosso ideal, que é viver e ser feliz. Que o trabalho seja o meio pelo qual produzimos o nosso sustento, e não uma arma de opressão que nos tira tudo: o tempo, a esperança, a mão de obra mal remunerada, que nos destrói por completo para que possamos produzir e gerar a riqueza alheia.
O mundo precisa buscar a justiça social e a solidariedade entre as pessoas. Não existirá paz mundial enquanto houver uma pessoa sem direitos, com seus direitos básicos sendo violados a todo momento.
Precisamos nos livrar da dinâmica vigente que nos faz explorar uns aos outros e que nos trouxe a toda essa carnificina. Tenho a triste impressão de que só pioramos, quando deveríamos estar muito melhor em todos os aspectos humanos e tecnológicos. É preciso superar as nossas diferenças e o nosso egoísmo contundente se quisermos ir a algum lugar melhor.