Hoje, minha vida recebeu um presente: Um dom que estava escondido, e eu o encontrei. Convenci o algoritmo de que tenho muito a dizer. O algoritmo, com sua "personalidade" fria, me acolheu.
Tudo parecia que seria mais fácil depois de ser abraçado. Nos meus sonhos mais otimistas, eu sempre dizia: Se eu superasse o algoritmo de maneira orgânica, tudo fluiria. E chegaria com mais facilidade aos corações humanos.
Na teoria e na prática, convencer o algoritmo sempre foi o passo mais difícil. É um universo pré-determinado, sabe-se lá para quê e para quem. É uma "relação" com uma máquina fria, E transpor esse obstáculo era o ponto primordial.
Algoritmo superado de maneira orgânica, Daqui para frente tudo seria mais fácil. Foi o que pensei a princípio. O ser humano, querendo ou não, age mais pela emoção.
O que escrevo não ressoou entre pessoas, E me pergunto: por que isso aconteceu? Sou uma máquina para entender as máquinas? Ou sou só mais um anônimo querendo atenção?
Sou o mago do melhor posicionamento orgânico, Mas sou invisível aos corações humanos. Não é para se frustrar, Quando são as dúvidas que pairam sobre o meu falar.
Lá pelas bandas que me exploram, Eu vejo até o que Deus duvida. Eu vejo a miséria sendo lucrativa, Eu vejo a riqueza superfaturada.
Nem a pior legião demoníaca é tão desonesta Quanto a crueldade exercida pelo capitalismo. Tudo o que toca vira pó, É espantoso saber que tem muita gente que concorda.
Um império pessoal ou de um país, para sobreviver, Precisa impor suas condições, sejam quais forem. Doa a quem doer, O objetivo é sempre o lucro a qualquer custo.
Lucro exorbitante para poucos, Miséria absoluta para muitos. O terror inflacionário é implacável, Consumindo vidas pelos juros.
Lugar onde nada prospera, Enormes são as filas da inadimplência, Onde a maioria não consegue se desenvolver. Lugar onde se lucra com a pobreza.
Movimento de desconstrução do capitalismo, Que escancara os altos juros. Movimento de desconstrução do capitalismo, Que denuncia que o pobre ainda tem trabalho forçado.
Multidões passam fome, No cotidiano a pobreza é extrema. O trabalho é análogo à escravidão, As pessoas ainda vivem produzindo riquezas para terceiros.
O silêncio dos oprimidos clama por justiça social. A “liberdade democrática” precariza. A taxação comercial é a nova pandemia, Mas quase ninguém se importa.
Meu desolado canto é solitário. É inútil o canto que eu canto. Canto o canto dos injustiçados, Canto o lamento de minha alma empobrecida.
Meu lamento vem de um coração miserável, De um corpo maltratado pela fome e pelo frio, E que, quando doente, encontra um sistema perdido. Meu canto canta por uma boa morte.