Indignado, dou meia volta e saio Saio de sua frente Sem saber para onde ir Caio na vida.
Não faz sentido algum essas brigas Nossas indas e vindas têm que acabar O medo de perder só nos faz enlouquecer E, sem razão alguma, brigamos.
Lutamos por nossas "razões" abstratas Colocando de lado o sentimento verdadeiro O mesmo sentimento que nos uniu E que nos esforçamos para destruir.
Logo tudo acabará O que ficará como nossa memória? Qual sentimento prevalecerá em nossas almas? Essa experiência nos permitirá amar e ser amados novamente?
O amor não pode falar nesse relacionamento Nossas exigências o neutralizam O convite ao término chegou sem aviso prévio.
Que a relação mal-sucedida não nos enfraqueça Da próxima vez, que o amor seja ouvido e seguido Que das brigas, o diálogo sempre saia fortalecido.
Going to São Paulo, I came across you, all the beauty embodied in one person, in one place, in one personality. All I could do was stand there, admiring. On that bus, everything became magical.
João was a very close friend. Realizing that all my concentration was on that woman, João nudged me and suggested:
Are you just going to stare or are you going to get up and talk to her?
I don’t know why, but I lacked courage.
I’ll be there in a bit – I replied to João, without taking my eyes off her.
I thought about what to say, how to behave and how I could hide my shyness when I talked to her. Shyness had taken over my entire being at that time. I didn’t want to be misunderstood.
Everything at that moment seemed difficult to execute. I didn’t understand why, but I just felt inferior in front of her, in front of the beauty that personified her. Why did I consider her too beautiful for me? How could I have avoided this conclusion?
When I decided to get up to go to her, my alarm clock started to ring. I then had to get up to go to work.
At the end of the day, my life, my reality is this: during the day, working so much that I am unable to identify someone’s face; At night, all I have to do is dream and, in the dream, wish to see, touch, feel the beauty that exists to be experienced and that I cannot.
Indo para São Paulo, me deparei com você, toda a beleza encarnada em uma só pessoa, em um só lugar, em uma só personalidade. Tudo o que eu conseguia fazer era ficar ali, admirando. Naquele ônibus, tudo passou a ser mágico.
João era um amigo muito próximo. Ao perceber que toda a minha concentração estava naquela mulher, João me cutucou e sugeriu:
Vai só ficar olhando ou vai se levantar para falar com ela?
Não sei por que, mas me faltava coragem.
Daqui a pouco eu vou – respondi a João, sem tirar os olhos dela.
Pensava no que falar, como me comportar e como poderia disfarçar minha timidez quando fosse falar com ela. A timidez tinha tomado conta de todo o meu ser naquela altura. Não queria ser mal interpretado.
Tudo naquele momento me parecia difícil de executar. Não entendia o porquê, mas só me sentia inferior diante dela, diante da beleza que a personificava. Por que a considerei bela demais para mim? Como eu poderia ter evitado essa conclusão?
Quando resolvi me levantar para ir até ela, meu despertador começou a tocar. Precisei, então, me levantar para ir trabalhar.
No final das contas, a minha vida, a minha realidade é essa: durante o dia, trabalhar tanto que sou incapaz de identificar o rosto de alguém; à noite, o que me resta a fazer é sonhar e, no sonho, desejar ver, tocar, sentir o belo que existe para ser vivido e que não consigo.