Um poema sobre o amor impossível e a beleza trágica de sentir o que não pode ser vivido. “Na vida, os caminhos se cruzaram” reflete o encontro entre duas almas destinadas, mas separadas pelas circunstâncias. É uma poesia sobre desejo, dor, aceitação e a força de amar em silêncio — escrita para quem já amou além do possível.
Na vida, os caminhos se cruzaram
Ver você é como ver o meu coração Desfigurado por amar quem não pode ser amado, Quem existe para o outro. O amor e suas controvérsias.
É um sinal limitante, E, um tanto quanto interessante, Ver o seu amor com outro. Como o amor prega peças.
Que, no coração, bastaria você — Sua energia feminina Percorrendo o meu corpo inteiro, Sem propósito algum.
Sua maior dor gera as tuas vitórias: Uma alma sedenta Por paz em meio aos conflitos. Te amo, sabendo que nunca será minha.
No desejo escondido revela-se a tua essência. É no amor que me recolho. Na incerteza dos dias, me rebelo. Restaram-me o teu olhar frio e vazio, inocente de malícia. Estou em busca — em busca dos sonhos não resolvidos, dos dilemas que foram enaltecidos. É hora do amor, das ilusões de cada momento. Quem sou eu nesse mundo de tristeza e desencanto coletivo?
Longe do amor, dedico-me a estar perto de você. Nesse momento sombrio, fico sem entender mais nada. Longe de você, só me resta a solidão — vazio cheio de presença, ausência de mim e de você, dos desvios existenciais e dos desejos carnais. Carne fresca de frescura exuberante, de um declínio extravagante de nossa liberdade, pautada pelos nossos erros, que vão deixando rastros pela história.
O instinto primitivo nos rege, fazendo-nos reagir de maneira um tanto grosseira. Os instintos primitivos me fazem sucumbir em devaneios sinceros, em alucinações rabiscadas pelo ópio da contradição de uma tradição que me contraria a todo tempo, sufocando-me. Quase sempre estou cansado de ser quem sou.