O medo vem e toma posse dos nossos corações. Vem na escuridão da madrugada, no descanso de nossa alma. Vem e se aloja em nossa história.
Neste momento, somos levados por essa influência. Por esse destino sombrio somos conduzidos. Sem nenhuma chance, nem resistimos, estamos à mercê desse inimigo invisível.
Infiltrado em nossa mente, está sob seu domínio a nossa vontade, a nossa profunda decisão. Não temos mais acesso.
Esse é um vírus maldito, o vírus do medo, que nos leva às conclusões erradas, deixando-nos com essa marca.
O medo nos fala ao coração, fala com um certo rancor, fala em morte... em desespero...
Na manhã desta segunda-feira, sem que eu soubesse de nada, ele foi embora. E com ele, levou minha filha. Em mais um ato canalha e covarde, ele ainda orquestrou o sequestro dela. Nada posso fazer além de chorar.
Sou alcoólatra. Estou desempregada. Passei a maior parte da minha vida morando entre uma calçada e outra. Em que mundo eu ganharia a guarda da minha filha? É um jogo perdido. E agora? Que rumo devo tomar na vida? O único fio que me segurava aqui acabou de se romper.
Vago pelas ruas na esperança de reencontrar minha filha. Bêbada, ando meio quarteirão por dia. Quando paro, minha mente tenta me trazer de volta à lucidez.
É difícil para mim viver sóbria, porque, ao ficar sóbria, sou levada a verdades que me machucam demais. A realidade é dura demais para mim. Preciso me manter afastada dela — e, alcoolizada, é o melhor que posso fazer por mim mesma.
Nos meus poucos dias de sobriedade, martela no meu peito a dor de não ter conseguido ser mãe. A culpa por ter me deixado levar pelo alcoolismo me consome. Quem sou eu além de uma andarilha? A noite mal chegou e cá estou, completamente bêbada. Há uma tristeza pairando no ar — bem mais poderosa do que em outras vezes. Desta vez, até alcoolizada consigo senti-la. Ela rasga o meu peito com um vazio descomunal. E eu não tenho para onde correr.
Sua presença ainda é sentida, É dor que só aumenta, Aumentando ainda mais a minha solidão. Um dia, preciso saber o porquê.
Me jogo de cabeça no trabalho, Nas noites mal dormidas. Recorro a tudo o que me faça esquecer de você, E absolutamente nada é capaz de soterrar a falta que você me faz.
Hoje, É só mais um dia, Misturado a mais um dia ruim no trabalho, Mais um dia da mais pura saudade.
Oh, minha alma! Desejoso estou de viver a felicidade. Quem idealiza uma vida em meio à dor? O que nós fizemos de errado?
Meu amor é constantemente atacado pelo ódio, Ódio que prevalece em mim por esperar a sua volta. Deixado para trás é como me sinto. Sou mais uma vítima da saudade, marcada pela morte.