Imagine ter todo o suor do seu trabalho sendo consumido dia e noite, ininterruptamente. Observe com que rapidez esses parasitas se multiplicam enquanto engordam às nossas custas.
Parasitas que sugam toda a nossa pobreza, a riqueza de nosso país e levam com eles toda a nossa esperança, deixando para trás o caos, a miséria e a morte instalados. Senhores donos do circo do horror.
Um mundo desigual, onde todos nós temos nossa parcela de culpa, onde todos nós gostamos de tirar uma casquinha dos nossos colaboradores. Nós somos seres da incoerência e da hipocrisia.
Não consigo ver uma solução quando tudo depende da contribuição de todos, quando o todo não foi capaz de amadurecer emocionalmente.
É impossível ter desejo de justiça quando se tem o monopólio econômico a seu favor, quando o sol nasce para todos, mas maltrata uma parcela da população mais que as outras. É sempre a mesma conversa, e me parece que continuamos no mesmo lugar: solitário e desiludido. Conversas que não mudam comportamentos e comportamentos que não querem ser mudados.
O mundo precisa de uma sociedade consciente. Consciência, esse é o nosso grande problema: consciência livre de ideologia não existe. Nossa busca pela consciência é genuína, até que atolamos no lamaçal de conceitos viciados, conceitos que nos aprisionam e não nos permitem avançar.
Quem sou eu diante desse mundo de ilusões? De desejos não correspondidos? Quem, do topo de sua mediocridade, é capaz de ver além do que lhe é imposto para ver? Sou quem não quero ser, sou quem me determinaram ser, sou a ilusão de dias felizes, fruto do pecado, das almas escolhidas de um deus construído.
Desde criança, fui ensinado a ver o mundo como os adultos o viam. Cresci e continuo vendo somente pelos olhos de outras pessoas; vejo o mundo pelos olhos de quem detém o poder político, econômico, religioso e midiático. Meus olhos e minha vida estão a serviço dos poderosos.
É irrelevante tentar resistir. Desejos são controlados. Minha existência aqui neste planeta apenas repercute os sonhos e desejos que não são os meus; luto as lutas que não foram escolhidas por mim.
Banido de toda a corte real, meu existir subsiste no submundo, onde luto as lutas que não foram escolhidas por mim. Essa é a realidade, pelo menos é a realidade que flagela meu corpo e mente o tempo inteiro. Realidade que devo suportar. Em uma realidade de cartas marcadas, não há muito o que fazer.
Meus sonhos e desejos são impossíveis de se realizar. Movimento-me para, quem sabe, algum dia, enfim, superar a lavagem cerebral à qual fui exposto. Sonho por sonhar, sonho desejando acordar.
Quem sou eu depois de ontem? O que fui capaz de ver além da escuridão? Dos desejos e sonhos que foram roubados? Em meus dias que se passam, passa também a esperança de um dia estar livre.