Tarde de domingo. A família brasileira, como de costume, estava reunida. Tudo seguia em aparente normalidade. Sem esperar nada preocupante, seguíamos nossas vidas.
O que começava a aparecer Não nos dava a real dimensão De que algo mais profundo estava por vir. Marchavam com orgulho estampado no rosto.
Gritando palavras de ordem, Cantavam com profunda comoção o Hino Nacional. Tudo parecia tranquilo, Até que a comoção virou ódio.
Um ódio que vinha das entranhas tomou conta do ambiente. Ninguém mais estava munido de sua razão. Tudo o que estivesse à sua frente era destruído. Todos eram considerados comunistas, inimigos.
O sangue estava fervendo. Todo o ódio internalizado era colocado para fora. Diante do que consideravam ser seus principais inimigos, Seguiam destruindo tudo, sem serem impedidos.
Todos ali foram vítimas, Vítimas que devem arcar com as consequências de suas atitudes. Mas foram vítimas de uma internet sem regras e sem lei, Onde encontraram pessoas manipuladoras Que os convenceram a viver esse delírio.
Os delírios de grandeza Ecoam em minha alma Eclodem em mim A minha essência marginalizada.
Essa é a minha verdade É a verdade que compõe a minha história Essa é a minha alma A alma de um marginal.
Sou o que não nasci para ser Sou o fruto da violência familiar Sou o descaso das políticas públicas Sou o que me instigaram a ser.
É ilusão, e está errado, Atribuir à minha alma marginalizada Como único culpado. Todos nós somos responsáveis.
Estou sendo julgado por sua omissão Por meus delírios de grandeza Pela corporativização do sistema Por meu endereço, minha cor e minha conta bancária.
Grande será o dia Em que justo será o julgamento Em que meus delitos, e só os meus delitos, serão julgados. Até que isso aconteça, continuo sendo só mais um marginal.
Abramos os nossos corações e mentes às novas ideias
A minha história é de busca, De intensidade e interioridade. É ser e não ser, Desejo e reclusão.
A minha história é de fracasso, E, como todo bom fracassado, me justifico. Me justifico da pobreza que recebi como herança, E querem me ver calado.
A minha história é como a sua: Nos calaram até não querer mais. Nos mantiveram presos nessas ideias, Ideias que nos fizeram acreditar.
É hora de dar um basta nessa opressão, Passou da hora de se libertar dessas ideias, Ideias que não se justificam com tanta injustiça. É hora de deixar novos ares entrar.
São nessas horas que temos que nos convencer De que seguir essas ideias do sistema não dá mais. O mundo está perdido em egos, Egos de poucos, mas egos autoritários.
Ir em direção às ideias fundamentalistas é um erro. É preciso dar espaço e valorizar o debate. É debatendo que chegamos às boas e novas ideias — Que as boas e novas ideias então floresçam.