Vão as nossas esperanças Em uma tarde qualquer de domingo Vão os nossos sonhos De um sonho qualquer que tivemos.
Vão as esperanças De um país que sonhava Sonhava, um dia, em ser grande Em uma tarde qualquer, tudo se desfez.
O sonho de ser uma nação unida O sonho de ser uma nação acolhedora Quando acordamos desse sonho? Quando a realidade bateu duro em nossa cara?
Tudo começou muito antes daquele domingo A realidade sempre esteve diante dos nossos olhos Nós que fingimos não enxergá-la Nós que preferimos nos manter acomodados.
Um sonho é sempre bem-vindo Quando nos ajuda a seguir em frente Um sonho, quando ofusca a realidade, É um sonho muito perigoso de se sonhar.
Inimigos da realidade, todos nós fomos Continuaremos a sustentar esse delírio? Do que temos medo? Temos medo de olhar para a realidade e nos descobrirmos fracassados?
Tarde de domingo. A família brasileira, como de costume, estava reunida. Tudo seguia em aparente normalidade. Sem esperar nada preocupante, seguíamos nossas vidas.
O que começava a aparecer Não nos dava a real dimensão De que algo mais profundo estava por vir. Marchavam com orgulho estampado no rosto.
Gritando palavras de ordem, Cantavam com profunda comoção o Hino Nacional. Tudo parecia tranquilo, Até que a comoção virou ódio.
Um ódio que vinha das entranhas tomou conta do ambiente. Ninguém mais estava munido de sua razão. Tudo o que estivesse à sua frente era destruído. Todos eram considerados comunistas, inimigos.
O sangue estava fervendo. Todo o ódio internalizado era colocado para fora. Diante do que consideravam ser seus principais inimigos, Seguiam destruindo tudo, sem serem impedidos.
Todos ali foram vítimas, Vítimas que devem arcar com as consequências de suas atitudes. Mas foram vítimas de uma internet sem regras e sem lei, Onde encontraram pessoas manipuladoras Que os convenceram a viver esse delírio.
Nem tudo é o que parece ser. Existe um movimento grande por detrás, uma estrutura de inteligência para pensar o próximo passo. Existe uma organização golpista em curso.
O que precisamos fazer é jamais esquecer, trazer cotidianamente em nossas retinas a triste tentativa de derrubar a nossa democracia.
O sonho golpista se materializou. Pessoas que se deixaram convencer e que se perderam em seus delírios. Golpistas tentaram nos impor o seu regime autoritário.
Deu-se uma catarse de superioridade. A realidade já não existia mais. Um golpe que, para eles, era a única solução.
É difícil, para nós que temos os dois pés no chão, convencer-nos a naturalizar esse momento, e nem podemos incorrer na tentação de cometer esse erro. Ainda existem, no submundo dos corações, tais desejos.
O que podemos fazer para proteger a nossa democracia é, fundamentalmente, levar a sério o nosso processo eleitoral. A política, querendo nós ou não, é o nosso melhor meio para produzirmos um desenvolvimento justo.