Os delírios de grandeza Ecoam em minha alma Eclodem em mim A minha essência marginalizada.
Essa é a minha verdade É a verdade que compõe a minha história Essa é a minha alma A alma de um marginal.
Sou o que não nasci para ser Sou o fruto da violência familiar Sou o descaso das políticas públicas Sou o que me instigaram a ser.
É ilusão, e está errado, Atribuir à minha alma marginalizada Como único culpado. Todos nós somos responsáveis.
Estou sendo julgado por sua omissão Por meus delírios de grandeza Pela corporativização do sistema Por meu endereço, minha cor e minha conta bancária.
Grande será o dia Em que justo será o julgamento Em que meus delitos, e só os meus delitos, serão julgados. Até que isso aconteça, continuo sendo só mais um marginal.
Não existe paz onde se cultiva o medo. Não existe paz onde só há rancor. Não existe paz diante da indiferença. Tudo se esvai de nossas mãos.
O que anda cultivando em sua alma? Diga em voz alta, para que você possa ouvir. Diga para que a tua consciência tome consciência. Diga para que penses sobre o que andas fazendo.
Dúvidas sobre o que acontece após a morte? Você toma consciência de como mal viveu. Você toma consciência de tanta mesquinharia. Você só quer ter mais uma chance.
Você quer mais uma chance, só que não existe mais chance. Você argumenta que não sabia. Querer saber demais: esse é exatamente o problema.
Mais do que saber, é fundamental viver. É preferível ser ignorante diante da morte, para que a vida tenha espaço. Se luta por justiça, é para que a vida tenha espaço.
Não existe morte onde a vida imperou, onde o amor amou, onde o foco foi viver. A morte nunca foi o fim.