Ainda que o desejo seja só mais um desejo. Tudo o que temos no final são só desejos. Sonhamos com um mundo mais justo, e o que encontramos são só injustiças que projetamos.
Os nossos sonhos anulam os nossos desejos. Somos feitos da poeira da injustiça, da rivalidade estratégica, da dominação do mais forte. Tudo o que temos em termos de direitos e garantias é ilusão.
Somos seres viventes à base de ilusão. Somos desejos e sonhos não realizados. Somos os dominados e os dominadores, somos a naturalização dessas relações. Somos e queremos ser assim.
Se algum dia estivermos dispostos a enfrentar as nossas causas interiores, nos rebelarmos contra as nossas incoerências, quando tivermos a coragem de dialogar com a nossa essência, é possível que o mundo melhore.
No paradoxo da nossa existência sempre nos encontraremos; cada um de nós carrega essa profunda contradição, contradições em cima de contradições; essencialmente, tudo em nós é contraditório.
Um dia encontraremos o caminho onde a doce ilusão será subjugada pela dura realidade; neste momento, é preciso entender que não sobrará contradição sobre contradição.
Carlos de Campos
Foto por Paul Blenkhorn @SensoryArtHouse em Pexels.com
Sem limites para voar. Voamos para bem longe. Voamos sem nos despedirmos.
Estamos voando sem rumo, sem direção nos perdemos. Na loucura nos encontramos, aqui estamos sem perceber.
Voamos para bem longe, tão longe que nos perdemos. Nos perdemos no horizonte, na volta para casa.
É no voo noturno que me realizo. Na contemplação da lua me divirto. Sem direção, mesmo assim me arrisco, arrisco voar pela liberdade que o voo me traz.
Estou à deriva, perdido me encontro. Me consolo, sozinho me encontro.
Voar é arriscado. Mesmo diante dos riscos, voar faz sentido. Voar faz parte da natureza humana. Voe o mais alto e o mais longe que puder.