Sem limites para voar. Voamos para bem longe. Voamos sem nos despedirmos.
Estamos voando sem rumo, sem direção nos perdemos. Na loucura nos encontramos, aqui estamos sem perceber.
Voamos para bem longe, tão longe que nos perdemos. Nos perdemos no horizonte, na volta para casa.
É no voo noturno que me realizo. Na contemplação da lua me divirto. Sem direção, mesmo assim me arrisco, arrisco voar pela liberdade que o voo me traz.
Estou à deriva, perdido me encontro. Me consolo, sozinho me encontro.
Voar é arriscado. Mesmo diante dos riscos, voar faz sentido. Voar faz parte da natureza humana. Voe o mais alto e o mais longe que puder.
Deitado, longe de tudo, existe uma decisão dura, que perdura na nossa triste condição.
Quem sou eu?
Eu, a solidão em pessoa, o peso da eterna injustiça, o diamante bruto rejeitado, a decisão mais indecisa, o desejo de pensar grande, mais longe do que meus olhos possam tocar.
Eu sou o mar de rosas, as rosas putrefatas, o delírio de um mundo em declínio.
O elemento central da vida. Homem de futuro duvidoso, integrado às decisões falsas e ridículas.
Quem sou eu?
A humanidade esquecida. O que ouve, vê e sente. O que nada pode fazer além de saber que não existe mais futuro, que o futuro se esvaiu pelas decisões mal decididas.
Por existir um ecossistema corrupto, excludente, promotor de desvios públicos.
E onde eu estou nesse ecossistema?
Diariamente, estou sendo calado, desestimulado, fadado a concluir que eu sou o problema. Dia por dia, caímos e levantamos. E esse é o problema.
O problema é se levantar. É resistir. O problema é continuar.
Para nós, não existe espaço. Não existe futuro. O que queremos não existe para nós.
Em nome da decisão, existir é resistir às injustiças. É adentrar no submundo da exclusão e, daí, arrancar o poder à força, forçando nas ruas as ilusões, o desespero escondido na forma de vícios.
Quem sou eu?
O pilantra inconsequente. Os horrores de um dia chuvoso. Sua eterna amada que, de joelhos, suplica por sua benevolência.
Covarde. Homicida.
Olho e vejo. Vejo a eternidade ferida por seus crimes, infidelidades contraídas. Vejo olhares sangrentos que, de quatro, são subjugados, maltratados, esculachados.
Eterna é essa glória que desonra toda a nossa história.
Deitado, me encontro. Sob a minha cabeça, existem lembranças. Escondidas estão essas tristes lembranças que me fazem esquecer que amanhã é outro dia do mesmo modelo corrupto de subsistência que existe somente para nos frustrar.
É mais um dia. Um dia perdido. Promíscuo. Que temos de enfrentar.